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Pará

Rio Tocantins seca ao extremo e assusta pescadores de Marabá

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Ter praia grande e bonita em frente à da cidade já não parece tão interessante como antes, em Marabá. A distância entre a orla e a Praia do Tucunaré diminuiu muito nos últimos dois meses e é possível ir a pé até a metade do trajeto, com água abaixo da cintura. No meio do caminho, para completar, uma nova ilha surgiu, larga e preocupante.

Acima e abaixo da cidade, os pedrais e outras praias parecem que receberam fermento: cresceram muito e é possível passar a pé em terra firme de uma margem a outra, como ocorre nos fundos do Bairro Km 7. Atravessar de barco entre a orla e a praia é perigoso para os barqueiros. Por isso, quem vai se divertir prefere pegar rabetas, que são mais leves, têm calado baixo e conseguem navegar com mais segurança, sem encalhar em um banco de areia.

Pescador há 28 anos, João Batista só consegue pegar agora piabas para a alimentação da família, porque é difícil vender peixes pequenos. Preocupado, diz que quem está ganhando dinheiro agora com venda de peixe são as pessoas que investem em tanques para criação de alevinos. “Os peixes estão acabando. As nossas águas secando e fica tudo difícil para nós porque essa é a alimentação do pescador e de mais pessoas, porque o pescado tem a ver com o que entra na mesa do brasileiro”.

A seca prejudica, principalmente, ribeirinhos que dependem da pesca para a geração de renda. Entre Marabá e Itupiranga, os moradores estão preocupados, porque não conseguem fisgar o principal alimento.

Em São João do Araguaia, onde se encontram os rios Tocantins e Araguaia, a seca também é grande e os pedrais já são maioria nos mais de 1,5 quilômetro entre uma margem e outra.

Com o “excesso de praia” em Marabá, jovens do Bairro Cabelo Seco, o pioneiro da cidade, aproveitaram para fincar traves e jogar futebol onde antes o rio cobria a mais de sete metros acima do nível normal. Um deles, Janari Dias, de 17 anos, disse que nunca tinha visto o rio tão seco e que, apesar de seus pais estarem espantados, ele e os colegas viram uma oportunidade de “bater uma pelada” e se divertirem.

O professor e ambientalista José Lima Barros, de Marabá, explica que três fatores contribuem para o cenário. Segundo ele, o primeiro fator são as crescentes degradações que vêm acontecendo ao longo do rio, na mata ciliar. O outro seria os barramentos (hidrelétricas) que são feitos ao longo deste rio e também dos seus afluentes. Além disso, no ano passado teve o período forte do El Niño, um dos mais críticos que tivemos. Ele segurou as chuvas que vieram bem mais reduzidas. Com menos chuva, diminui o nível da água”, explica.

Crise no Tocantins

No Estado do Tocantins, cerca de 20 municípios decretaram estado de emergência por causa da seca do Rio que dá nome ao estado. Pesquisadores realizaram o resgate de três botos que ficaram presos em uma região do rio Tocantins, no município de Floresta do Araguaia, no sul do Pará. Segundo os pesquisadores, a situação é provocada pela seca que atinge a região.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) montou uma força-tarefa com o apoio do Instiuto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins).

“Se esse pescador não tivesse relatado esse fato para nós, nunca ninguém ia ficar sabendo disso e a gente não teria tido condição de fazer esse resgate”, afirma Cristina Whiteman, do Ibama. Segundo os pesquisados, a situação deixou os animais vulneráveis e eles foram resgatados em condições de saúde críticas.

Comentários ( 2 )

  1. Muito triste e preocupante.
    E pensar que ainda há pessoas que não tem o menor pudor em jogar latinhas e lixo nas margens do rio.
    Cenas que moradores da beira rio e amantes das praias, presencia regularmente.
    Eu me lembro que, quando crianças, ficávamos felizes em ver a “Prainha”. Uma pequena praia que saía quase que no meio do rio.
    Mas ver estas águas tão rasas e peixes morrendo, é lamentável.

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