Internet de qualidade é WKVE Liga você ao mundo!
artigo

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

 Por Dr. Ricardo Wagner ( * )

Uma condição sobre a qual se ouve frequentemente em consultórios ginecológicos sãos os cistos de ovário, existindo diversos tipos. Na presente coluna, o foco são os ovários policísticos, ou mais especificamente, a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Uma síndrome caracteriza um conjunto de sinais e sintomas, logo, apenas uma ultrassonografia não é suficiente para se obter um diagnóstico.

A Síndrome dos Ovários Policísticos é um distúrbio que interfere no processo normal de ovulação, em virtude de um desequilíbrio hormonal.

Os cistos nada mais são do que óvulos, assim, fazem parte do funcionamento dos ovários. A maioria destes são expelidos a cada ciclo menstrual, na tentativa de gerar uma gravidez – que pode ocorrer ou não, caso encontre um espermatozóide. Em portadoras da Síndrome, o óvulo não é expelido, isso é, os cistos permanecem, modificando a estrutura ovariana e tornando o órgão até três vezes mais largo que o tamanho normal.

Além do aumento dos ovários, este descontrole hormonal pode levar à secreção de hormônios masculinos, os chamados androgênios, em excesso, gerando oleosidade na pele, espinhas, acne e aumento de pêlos em regiões que não são características do sexo feminino. As portadoras da Síndrome dos Ovários Policísticos também ovulam com menor frequência, geralmente apresentando ciclos irregulares e, por vezes, passando de três a seis meses sem menstruação.

Não se sabe a causa exata desse distúrbio, mas ela possui origem genética, em parte, uma vez que irmãs ou filhas de uma portadora têm 50% de chance de desenvolvê-la. Também pode ser associada com a produção de insulina em excesso pelo organismo: o aumento da substância no sangue provocaria o desequilíbrio hormonal. Com base nisso, medicamentos para diabetes podem ser usados em seu tratamento, pois diminuem a quantidade de insulina no sangue.

Além dos ciclos irregulares e dificuldade para engravidar – podendo a portadora estar há mais de dois anos tentando, sem sucesso –, a Síndrome dos Ovários Policísticos favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade. Quanto ao excesso de hormônios masculinos previamente mencionado, podem ser observados os seguintes sinais: crescimento anormal nas regiões do baixo ventre, seios, queixo e buço; aumento da oleosidade da pele e aparecimento de espinhas e cravos; queda de cabelos; aumento de peso; manchas na pele, principalmente nas axilas e atrás do pescoço.

O distúrbio é caracterizado pela dificuldade na liberação de um óvulo do ovário todo mês, que pode ser causada por outras doenças como problemas de tireóide ou a glândula suprarrenal. Conforme mencionado anteriormente, uma ultrassonografia isolada não é suficiente para fornecer o diagnóstico da Síndrome, sendo necessários exames de sangue para a dosagem de alguns hormônios, principalmente os masculinos, e investigação das causas da irregularidade menstrual.

Seu tratamento usualmente depende do desejo e necessidade da paciente. Quando seu interesse não inclui gravidez, apenas a diminuição dos sintomas físicos (pêlos, acne) e controle do ciclo menstrual e da pré-diabetes, métodos anticoncepcionais hormonais como pílulas, anéis vaginais e implantes protegem os ovários contra a formação dos microcistos, além de diminuírem os níveis de hormônios masculinos e insulina. Caso a paciente deseje gravidez, indutores de ovulação e a mefiformina – medicamento para diabetes que diminui a insulina no sangue – podem ser indicados.

Portadoras da Síndrome dos Ovários Policísticos devem adotar ainda dietas mais leves, especialmente quando apresentam obesidade, acompanhadas da prática de exercício físico, que pode beneficiar a todas. Dependendo do caso, tratamentos cosméticos com dermatologista podem ser indicados. É necessário lembrar que o maior inimigo dos hormônios, e a principal causa para o seu descontrole, é a obesidade.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

Deixe uma resposta

error: Conteúdo protegido contra cópia!