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Marabá

Nos braços de pecuaristas, Bolsonaro chega a Marabá e tripudia de sem terra

Pré-candidato a presidente da República é escoltado na “Capital dos Sem-terra” por caravana de tratores de pecuaristas e com direito a jantar de gala
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Ao pôr os pés no Aeroporto de Marabá no início da tarde desta quinta-feira, dia 12, o pré-candidato a presidente da República, Jair Bolsonaro, foi recebido com berrante, dezenas de pecuaristas e outros simpatizantes de diversas cidades do Estado do Pará e até do Maranhão.

Eles começaram a chegar ao local antes mesmo das 11 horas da manhã (Bolsonaro só pousaria às 13 horas) e começaram a fazer barulho ensurdecedor. Enquanto aguardavam o deputado federal do PSL, os simpatizantes gritavam palavras de ordem, como “Mito”, “Eu vim de Graça”, “queremos Bolsonaro presidente do Brasil” e quando ele chegou, de fato, ao local, a euforia tomou de conta dos simpatizantes, que sacaram seu telefones celulares, filmaram, fizeram fotos e foi levantado na “cacunda” de um deles e saiu de lá para acompanhar a multidão que o aguardava do lado de fora.

Entre as figuras que o acompanhavam estava o também deputado federal Eder Mauro, Manoel Veloso (médico e pré-candidato a deputado federal) e pelo menos outros sete pré-candidatos ao mesmo cargo, quase todos ligados a alguma força militar (PM e Polícia Federal e Exército).

Ali mesmo na área do Aeroporto, cerca de 2.000 pessoas se aglomeravam embaixo de árvores e um grupo menor ficou sob o sol de esturricar de frente para um trio elétrico que fechou o trânsito em uma das vias de acesso ao aeroporto. Muitas camisetas de Bolsonaro foram distribuídas e lançadas do carro de som para a multidão que estava embaixo. “É o pessoal do Endireita Pará quem está patrocinando as camisetas”, justificou o apresentador “Gildo Bolsonaro”.

Os discursos duraram cerca de 20 minutos. Os pré-candidatos tiveram no máximo 2 minutos cada para dar seu recado.

Eder Mauro foi melhor aquinhoado com o tempo, falando por 5 minutos e o restante ficou para o “Mito”. Eder Mauro garantiu que Jair Bolsonaro é o melhor para o Brasil e que ele cuidará para colocar o País em ordem novamente. Argumentou que o foco do governo de Jair será cuidar dos valores da família e do Brasil. “Quero acreditar num país em que as crianças aprendam português e matemática e não ideologia de gênero dentro das escolas”, polemizou.

Tratou também do assunto segurança pública, sua bandeira maior de campanha, e disse que com Bolsonaro presidente, o Pará será melhor cuidado pelo governo federal. “O governo atual abriu as portas para o Comando Vermelho e eles tomaram conta do nosso estado. “Só no ano passado foram mais de 4.000 pessoas mortas no Pará, sendo 66 policiais. Quero um país em que, se o Estado não der segurança, o cidadão tenha o direito de se defender”, disse Eder Mauro.

DISCURSO PARA SEU PÚBLICO

Ao começar seu discurso, Bolsonaro disse que estava no Pará para mudar. “O Patinho Feio (ele mesmo?) está ficando bonito. O que eles têm, nós não queremos; o que nós temos eles não terão, que será o povo ao lado do futuro do Brasil. Esse grande estado não pode continuar sendo pobre e saqueado. Esta região tem tudo para colaborar para a economia do País. Aqui exploram tudo e deixam o buraco”.

Aos garimpeiros, Bolsonaro também trouxe uma palavra de ânimo: “Meu pai foi garimpeiro e, no futuro, vocês serão reconhecidos pela nação”.

Reforçou o discurso de Eder Mauro e disse que, caso seja presidente, não vai “admitir essa patifaria de ideologia de gênero em escolas. Vamos respeitar todas as religiões porque Deus está acima de tudo”.

Para o “Mito” de seus seguidores, quem invade uma propriedade privada – “sejam os bandidos do MST ou não – tem de ser recebido a bala porque a propriedade privada é sagrada, não interessa se no campo ou na cidade. Mas para fazer isso, precisamos realizar uma pequena mudança no Código Penal”.

Talvez Bolsonaro não saiba que Marabá é o município do Brasil onde há mais famílias assentadas no País. Por aqui, existem mais de 60 acampamentos coordenados por movimentos ligados a trabalhadores rurais.

Ele também falou ao grande público de militares que estava presente: “Você tem o direito de atirar para defender a sua vida. Se o canalha morrer, você responde mas não há punição. A arma de fogo é um direito de vocês, do cidadão de bem. E mais importante do que a defesa da sua vida é a defesa da liberdade”.

Bolsonaro ironizou, como sempre, o PT e o chamou de Partido de Trambiqueiros. “Estou mudando de posição. Não quero mais o Lula preso, quero o Lula em cana” (não é a mesma coisa?).

Por fim, disse que não está em campanha eleitoral e que veio a Marabá apenas “visitar vocês, conhecer seus problemas, me preparar e, caso seja a vontade de Deus, disputar a Presidência da República”.

Depois, o grupo saiu em carreta pela cidade, seguido por uma legião de pecuaristas que o apoiam, tendo inclusive enviado seus tratores para engrossar ainda mais o movimento, além de espalhar faixas pela cidade com boas vindas ao pré-candidato do PSL.

Um comício estava agendado para o fim da carreata na Orla do Rio Tocantins, mas quando Bolsonaro chegou ao local, ainda sob forte calor, cuidou apenas de ser simpático com seu público, posou para selfies, entrou no carro que o conduzia e foi embora.

Às 16 horas teve um encontro fechado com militares do Exército Brasileiro na 23ª Brigada de Infantaria de Selva. Em companhia do general Heleno, da reserva, ele visitou o comandante da 23ª Brigada, general Eugênio Pacelli. A Reportagem do blog levantou que ele e Bolsonaro são oriundos da mesma arma (Artilharia) e foram paraquedistas. “Foi apenas uma visita de cortesia, no gabinete, reservada, com alguns poucos integrantes da comitiva” de Bolsonaro, informou uma fonte da Brigada.

Hoje à noite, às 19 horas, Bolsonaro concederá uma entrevista aos veículos de comunicação regional e, depois, às 20 horas, participar de um jantar com pecuaristas no Sindicato dos Produtores ​

Ulisses Pompeu – de Marabá

Comentários ( 2 )

  1. Bolsonaro se esmera pela farsa. Como militar nunca foi militar, muito menos paraquedista; como parlamentar nunca teve um projeto legislativo efetivado. Resta saber se como projeto nazi-fascista tupiniquim reproduzirá odio, genocidio e guerra. Pelo que sei a única guerra que esse tipo de fascista sabe comandar é contra o próprio povo brasileiro, vide seu amor pelos norte-americanos.

  2. E agora José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou…

    tentou em todo o texto desqualificar a presença do candidato, não adianta. Lula merece cana? Sim, cana! Aquele cachaceiro gosta de cana.

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