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Parauapebas 30 anos

Uma breve reflexão e um vídeo em homenagem aos 30 anos de Parauapebas
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Tenho lido, nessa semana em que Parauapebas comemora seu 30º aniversário de emancipação política, vários artigos de blogueiros, jornalistas e afins, referentes à data. Alguns desses já fizeram parte de outras administrações e tratam logo de fazer comparações entre o atual governo municipal e os de outrora. Citando o volume de recursos arrecadados, tratam logo de dizer que Parauapebas é uma potência mal administrada prestes a quebrar.

Deles eu discordo completamente! Como o “trin-trin” de um despertador, aos trinta anos é preciso que despertemos e plantemos agora o futuro que queremos para essa cidade que nos recebeu de braços abertos e onde a maioria constituiu família. Muitos, assim como eu, chegaram aqui há longínquos anos para passar uma temporada, ganhar um bocado de dinheiro e voltar para as terras de origem.  Mas, como disse o poeta, “eu fui que fui ficando”. Fiquei sempre aguardando que a decrepitude política dos nossos governantes tomassem rumos melhores e que Parauapebas pudesse espelhar de igual forma a grandiosidade dos recursos financeiros que aqui são despejados ano após ano.

Nesses trinta anos, em minha opinião, podemos comemorar mais do que reclamar. Quando aqui cheguei, há 34 anos, Parauapebas não passava de cinco ou dez ruas encravadas ao pé da serra, algumas delas um antro de cabarés e casas de jogos. Hoje Parauapebas abriga mais de 120 bairros, a maioria planejado, com ruas, meio-fio, energia elétrica e abastecido por água tratada, e, com o mais importante, um povo trabalhador e que busca seu sustento de forma honesta. Esse sim o nosso maior patrimônio: nossa gente.

Passadas as festas de comemoração aos trinta anos, precisamos começar a discutir políticas públicas que melhorem a vida da nossa gente. Precisamos avançar na educação, criando mecanismos para que nossos filhos não precisem deixar a cidade para fazer um bom curso superior. Precisamos avançar na saúde, humanizando cada vez mais o atendimento e buscando qualificação técnica para que nossa gente não morra de doenças que hoje são curáveis. Precisamos avançar na segurança, mesmo esta sendo uma obrigação do estado, melhorando a iluminação pública e criando mecanismos para que os órgãos de segurança possam trabalhar de forma mais profissional no combate aos criminosos. Precisamos avançar culturalmente. Parauapebas tem um centro cultural belíssimo entregue pela Vale que jamais foi usado por pura burocracia, já que Vale e prefeitura ainda não chegaram a um acordo sobre a forma de gerir aquele espaço, que poderia estar recebendo peças teatrais, exposições de fotografias, artes, e formando atores, entre outras ações.

Mas, o que para mim deveria ser a mais importante ação que nossos políticos poderiam tomar seria a ampliação e criação de emprego e renda em Parauapebas, e isso passa por uma transformação no uso dos nossos recursos. É preciso que criemos um fundo financeiro oriundo de um pequeno percentual da arrecadação da CFEM para que, no futuro, quando o minério de ferro acabar, Parauapebas não se torne um grande buraco. Esse fundo financiaria estudos de viabilidade econômica para projetos de empresários que queiram se instalar em Parauapebas, e seria importante que esses projetos fossem alheios à mineração. Que tal investir na agricultura, na pecuária, em piscicultura, em laticínios, em pequenas indústrias de transformação que possam usar matéria-prima local, criando pequenas empresas  e gerando inúmeros empregos?

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Claro que, quando se fala em política os ânimos se afloram. Se tem alguém no poder, tem sempre alguém querendo esse poder. Isso é natural e faz parte democracia. Mas, deixemos de pessimismos e de propagar o caos. Parauapebas é uma cidade maravilhosa que, como diz seu hino oficial, conquistou nossos corações, pois foi escolhida por Deus para abrigar o povo D’ele. Se acha que o prefeito está ruim, que os vereadores são ruins, que está tudo errado, espere até as próximas eleições e faça campanha pra mudar tudo, essa é a hora! Pessimismo e desdenho com quem está administrando só irá trazer mais caos em um momento de total instabilidade do país.

Hoje é dia de festa, de comemorar sim esses trinta anos. De glorificar as conquistas e agradecer a contribuição que cada ex-gestor deu à Parauapebas. Obrigado Faisal Salmen, Chico das Cortinas, Bel Mesquita, Darci Lermen e Valmir Mariano pelo empenho em tornar Parauapebas uma cidade melhor para o seu povo. Cada um de vocês certamente saíram da prefeitura com o sentimento de ter feito o melhor que era possível naquele momento. Hoje a batuta está novamente nas mãos de Darci e cabe a ele conduzir Parauapebas para um futuro não tão dependente da mineração. Temos recursos financeiros e um povo de mente aberta para inovações. Vale a pena tentar!

O vídeo abaixo é uma pequena homenagem do Blog aos 30 anos de Parauapebas. A letra da música é do jornalista Marcel Nogueira, a quem agradeço pela generosidade de ter emprestado “Rio de Águas Claras” para compor essa homenagem, e a à HD produções pela produção do vídeo.

Rio de Águas Claras (Marcelo Nogueira)

No sopé da serra,
entre as montanhas eu te vi menina a se fazer mulher.
No teu passo verdejante de felicidade, toda prosa
em vaidade, como tinha que acontecer.
Por tua beleza, és falada,
és comentada,
e o minério que insistes em nos ofertar.
No teu colo farto, generoso,
Acolheste brasileiros, como filhos do Pará.

Rio de águas claras de caipira, de caipora, pirararas,
Maravilha dos xicrins,
Preguiçosamente invadindo o Itacaiunas
Levas peixe ao “ribeirin”.
Namorada bela, a primeira do Rio Verde,
De tempos antigos e primaveris.
No teu colo farto, generoso
Acolhestes brasileiros, de todos os brasis.

Do Liberdade ao Altamira
A moça é bonita demais.
A lua nascendo no bairro da Paz.
As roupas quarando e tomando os varais
Na Cidade Nova os quintais simetricamente iguais,
Os bares da praça e os sons musicais, que nem impressões digitais
De tão parecidas, são tão desiguais.

Comentários ( 5 )

  1. Discordo cometamente! A reclamação tem q ser agora, a crítica tem q ser agora, a ajuda tem q ser agora, a comparação tem que ser agora. Vi muita desonestidade intelectual em sua reflexão.

    Os recursos são mal administrados, e devem ser questionado, afinal, o recurso é público.

  2. Parabéns pelo texto Zé Dudu, muito coerente e de uma pessoa que enxerga as necessidades do município. Não sabia que você estava a tanto tempo na cidade. Parabéns também pela homenagem, o vídeo foi de muito bom gosto e a música do jornalista Marcel Nogueira é maravilhosa.

  3. Adorei o vídeo e a música. Seu texto é muito complacente com os governantes mas respeito sua opinião, és ainda um dos poucos que tem no jornalismo local

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